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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Natal 2018

Três fotos do altar/escadinhas do Menino de Jesus entronizado e do Presépio/Rochinha construído no foyer da nossa vetusta Casa Aduaneira por alguns dos nossos mais laboriosos e dedicados Colegas.
Cá da Pérola do Atlântico, desejamos a todos Vós um Bom Natal e um Ótimo Ano de 2019.




quarta-feira, 15 de março de 2017

Aniversário da Alfândega do Funchal, 540 anos.

Para escrever sobre o que quer que seja é necessário “apetecer”, “vontade”, inspiração e principalmente transpiração, mas, escrever algumas palavras que façam jus à identidade histórica desta instituição, será apenas aflorar factos e desassossegar o vosso dia de trabalho.

Em 15 de Março de 1477, através de carta, a infanta D. Beatriz, então administradora da Ordem de Cristo, determinou a criação de postos alfandegários, em virtude da alfândega de Lisboa, que tinha foral desde as épocas de D. Dinis e de D. Fernando, não conseguir corresponder ao aumento do tráfego ultramarino do inicio da época dos descobrimentos.

Quando o duque D. Manuel, filho de D. Beatriz, assumiu a direcção da Ordem de Cristo e por morte de D. João II, em 1494, subiu também ao trono de Portugal, uma das suas primeiras medidas como Rei, foi a incorporação da Madeira no património da “Coroa para sempre”.

A produção açucareira continuava a subir e com ela a atenção para tudo o que dissesse respeito à Madeira”.

Com efeito, a boa aclimatação da cana sacarina a uma terra fértil e pródiga em água, transformou a ilha, logo na segunda metade do séc. XV, em região exportadora de um produto exótico com colocação muito rentável no mercado europeu, para além de vir colmatar as necessidades cerealíferas do reino que o Norte de África, afinal, não conseguia satisfazer.

“Desta forma os aspectos económicos passaram a merecer por parte do Rei uma muito especial atenção, pelo que foi reformulado o diploma da alfândega do Funchal. Tal como outros diplomas de carácter jurídico e administrativo, também o diploma da alfândega do Funchal veio a servir de modelo para as alfândegas dos Açores e dos demais domínios ultramarinos portugueses.

Naquele tempo, a Madeira assumia para o Reino um papel fundamental no espaço geoeconómico do Mediterrâneo atlântico, a que se veio juntar anos mais tarde, os Açores, hoje, a Madeira e os Açores possuem uma capital importância geoestratégica e geopolítica, não só para o todo nacional, mas, para a União Europeia.

Neste dia em que se completa mais um aniversário desta vetusta instituição, não esquecemos o passado que nos alicerça, mas, olhamos o futuro com curiosidade e temperança, afinal, sabemos bem que as mulheres e os homens passam, a instituição fica.

Para terminar, esta singelíssima celebração, trago-vos um poeta, para mim, “mágico”:

Ficámos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrámo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas: navegar é preciso, viver não é preciso.
Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuindo-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora. Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos propriamente vida. Não tendo uma ideia do futuro, também não temos uma ideia de hoje, porque o hoje, para o homem de acção não é senão o prólogo do futuro.

Bernardo Soares/Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Ática, 1982.


Continuação de um ótimo dia de trabalho e saudações aduaneiras e tributárias cá da Pérola do Atlântico!


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Alfândega do Funchal.

Olá, boa tarde meus amigos.
Ainda a propósito dos incêndios na Ilha da Madeira e da circunstância da Alfândega do Funchal ter sido das poucas instituições públicas a funcionar durante o dia de ontem, gostava de referir o seguinte:
Para a esmagadora maioria das pessoas, a alfândega são aqueles homens e mulheres que trajam de azul e branco, que se encontram à saída da sala de bagagem nos aeroportos, que após uma cansativa viagem e uma interminável espera pelas nossas malas, nos impedem de ir ao encontro de familiares e amigos que nos aguardam impacientes, ainda nos querem revistar e revirar os nossos preciosos pertences.
Pois bem, tenho uma surpresa para quase todos vós: a alfãndega é muito mais do que um empecilho, mas essa é outra história...
O que aqui venho dizer é que nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, para além de todas as atribuições que nos estão acometidas idênticas ás das restantes alfândegas continentais, foi-nos atribuida uma tarefa adicional, uma tarefa fundamental para o normal funcionamento das economias regionais e que é o controlo na entrada de mercadorias pereciveis, mas não só, bens de primeiríssima necessidade e que se destinam ao consumo da população residente e turistica, como por exemplo: carne, manteiga, queijo, arroz, azeite, óleo, forragens, etc, etc. Todas estas mercadorias são sugestíveis de receber ajudas no âmbito do regime POSEIMA, um programa específico comunitário de apoio ao abastecimento das regiões ultraperiféricas. Ora, este é o motivo primeiro pelo qual a alfândega não pode encerrar portas, só mesmo em caso de não conseguimos aceder ao nosso edifício.
Sendo certo que durante o dia de ontem não estavamos todos ao serviço, em virtude de alguns colegas se encontrarem a defender as suas casas do fogo, os que se encontravam em condições de assegurar o seu posto de trabalho e o daqueles que não o puderam fazer, disseram presente!
Sinto uma enorme responsabilidade e um imenso orgulho em ser aduaneira! Um por todos e todos por um!

terça-feira, 15 de março de 2016

Aniversário da Alfândega do Funchal: 539 anos.

Hoje é dia de aniversário na Alfândega do Funchal. São 539 anos cheios de aventuras, de trabalhos e de lutas, sim, de lutas!

Em 1644 reinava D. João IV, e devido “… à necessidade de controlar o contrabando e defender o desembarcadouro das fazendas, o Rei determinou a construção de uma fortificação nas casas da Alfândega.”

Com canhões e tudo…

“A bateria ficou constituída por um baluarte triangular avançado ao mar, construído sobre a cortina da cidade. (…) Esta bateria teria sido sumariamente artilhada na época da primitiva construção, ou seja em 1630, (…).”

Nesta casa já se fez de tudo, os nossos antepassados até artilheiros foram!

“É ainda possível que o tenha sido antes, dado que os primeiros alvarás que constituíram a nómina de bombardeiros do Funchal apontavam para os guardas da Alfândega como os primeiros potenciais artilheiros. (…) Reducto da Alfândega, o qual franqueia a praia entre a fortaleza de São Lourenço e a Fortaleza Nova, com 2 peças de artilharia, o que se fez para a defesa e guarda da fazenda real da Alfândega, que se desmandava por várias partes”.

E excomungados!

“Nos inícios do século XVII a alfândega do Funchal teve francas dificuldades em conseguir encontrar rendimentos para pagar ao clero local e aos militares castelhanos aqui estacionados. Desta situação nasceram questões melindrosas, com o bispo do Funchal a excomungar os oficiais da pagadoria e os soldados a colocarem cerco ao provedor, não o deixando contactar ninguém, receber água ou comida, sem primeiro lhes pagar. Assim, assumindo o bispo D. Jerónimo Fernando, que excomungara os oficiais da Alfândega, o lugar de governador, determinou a fortificação destas casas, muito provavelmente para obstar a situações como as decorrentes dos cercos dos soldados do presídio castelhano.”

Enfim, foram tempos verdadeiramente atribulados.

São estas as memórias que valem a pena serem recordadas em dias de celebração, histórias de homens valentes, em tempos verdadeiramente difíceis.

Continuação de um ótimo dia de trabalho e saudações aduaneiras e tributárias cá da Pérola do Atlântico!








quarta-feira, 10 de junho de 2015

Quadras aeroportuárias




Oh meu querido Santo António

Santo da minha devoção

Traz bons ares ao aeroporto

Que isto está uma confusão!

*

Com o progresso tecnológico

Tudo se compra na net

É o telemóvel, é o vestido

Mas nada de juntar o frete!

*

Esquecem-se da mercadoria

Atrasam-se nas declarações

Depois ficam estupefactos

Pois têm de pagar Leilões!

*

Exigimos com rigor

Tudo o que é necessário

A Contrastaria, o Cites

O Furim e o Fitossanitário!

*

O operador económico

Vem esbaforido a reclamar!

E tão urgente! Ai o cliente!

Onde é que isto vai parar?!

*

Pode dar-me uma franquia?

Qual é o melhor artigo?

Imprime-me a declaração?

Veja em mim um amigo!

*

Faz um milagre bem feito

No momento de desalfandegar

Queremos a fatura correta

Não nos estejam a aldrabar!

*

Controlo documental?

E melhor verificar!

Na fatura estão cebolas

No volume um alguidar!

*

O comprovativo de pagamento

E diferente da fatura

Toma lá uma coima

Ai meu Santo, que loucura!

*

Nesta Alfândega do Aeroporto

Quem está primeiro é o utente

Tem toda a consideração

E na verdade nunca mente… !

*

E se a divida surgir

A carga não vai embora

Vem a malta das Finanças

Tem de proceder à Penhora!

*

Quero a minha carga já!

O valor real? Nem vê-lo!

Não concordo com nada disto,

Traga-me o Livro Amarelo!

*

Tudo funciona tão bem

Neste mundo aduaneiro

Sto António de Lisboa

Fica cá o ano inteiro!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Aniversário da Alfândega do Funchal: 538 anos.

2015-03-13

Bom dia.



Hoje amanheceu um dia cheio de sol

como é hábito por estas paragens.

Da minha janela

eu  vejo o mar,

um mar azul

cheio de oraculares promessas.

AP



No próximo domingo, dia 15,  completa-se mais um ano de existência desta vetusta instituição, são 538 anos de intenso labor, suor, lágrimas, dedicação, aperfeiçoamento, mas também de júbilo e satisfação.

Este ano partilho convosco um excerto de um romance de uma escritora que adoro e um poema de um autor madeirense que muito aprecio, celebrando desta forma mais um aniversário da Alfândega do Funchal, espero que apreciem…



“João Gomes, conhecido por «Trovador», que casou no Funchal com a filha dum companheiro de Gonçalves Zarco, foi homem de cuidados e suspiros. Além de vereador da Câmara em 1472, entrou na abundante polémica do Cancioneiro Geral acerca de quem melhor ama: se o que cuida ou o que suspira. Isto não impressionava se não fosse a elegância das trovas, dignas de um pajem do Livro do Infante D. Henrique, que, pelo que se diz, ele foi.  João Gomes da Ilha teve a sorte de produzir bons versos, decerto antes que o cargo de juiz ordinário lhe embotasse a veia poética. «Da lembrança do passado/com desejo do futuro/em o tear do cuidado/se tece mui restorçado/ terço pelo verde escuro.»



In “A Corte do Norte”, Agustina Bessa – Luís, Guimarães Editores, 2008



Marlon Brando

Todas as ilhas contêm, no esplendor da sua água e da

sua pedra, na sua luz submersa,

ferida pelo mar,

o que resta daquilo que fomos e fizemos, tantas vezes

sem saber porquê.

Eu também fui o homem,

antes de os tigres do mundo me arrancarem o coração.

Abandonei um palco que era a própria vida,

com as suas estátuas de ouro falso e cristal.

Voltei as costas, fugi para o sul, esqueci.

Contemplei,

no fatídico poente das tempestades,

um vulto inclinado que parecia cantar para mim,

mas não parti de Tetiaroa,

essa ilha onde ouvi na minha voz outra voz que mal

se ouvia,

onde me fechei na cor das gardénias que rodeavam

o quarto,

o pensamento em chamas, os apocalipses da minha

insónia.

Eu também fui o homem, mas não regressei.



In “Assim na Terra como no Céu”, José Agostinho Baptista, Edição de autor, 2014