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domingo, 6 de julho de 2025

Plano de Leituras no masculino - escritores de língua portuguesa.

 Habitualmente colocamos em cima das nossas mesas-de-cabeceira pilhas dos livros que andamos a ler.

Ora, estando a ler o último livro do plano de leituras no feminino - escritoras de língua estrangeira, a minha mesa-de-cabeceira estava irreconhecível de quase vazia, vai daí, resolvi preenchê-la com alguns dos livros que integram o meu próximo plano de leituras no masculino - escritores de língua portuguesa, que passo a identificar (todos):

Ps: planos de leitura que nunca estão fechados e podem revestir vários critérios…





terça-feira, 16 de julho de 2024

Leituras

Durante o passado fim-de-semana, conclui o meu plano de leituras no feminino - escritoras de língua portuguesa e passei para as escritoras de língua estrangeira, começando com um policial da coleção Vampiro: O Mistério da Escada de Caracol, Mary Roberts Rinehart.

Este ano já consegui ler 18 livros, agora, da pilha de livros que construí só com as autoras estrangeiras, umas serão uma estreia, outras um regresso e pelo menos uma será uma releitura com um intervalo de duas décadas, mas não há pressa…



domingo, 29 de dezembro de 2019

Plano de leituras no masculino.

Agora que concluí o plano de leituras no feminino, irei dar início a novo plano de leituras, mas será no masculino e só autores de língua portuguesa.

A pilha de livros mais pequena é pertença do Luís, a maior é a minha, vou começar por Camilo Castelo Branco...


domingo, 4 de agosto de 2019

Livro: Horas Vivas, Natália Nunes, D. Quixote, 1952.


Concluí ontem à noite a leitura de Horas Vivas, de Natália Nunes (1921-1918), uma pequena obra literária (111 págs.) que entrou no meu acervo ainda não decorreu um mês e seguiu direta para o rol de leituras no feminino em progresso, as folhas vinham fechadas, uma edição um ano mais antiga do que o meu Luis.

Há muito que tenho o hábito de ler o prefácio duas vezes, a primeira antes e a segunda depois de concluída a leitura da obra.

O prefácio de Horas Vivas, da responsabilidade de Mário Sacramento, “Aveiro, Maio de 1968”, é de imprescindível leitura per si e pelas luzes que coloca no caminho da leitura deste pequeno romance memorialista.

O tanger de um sino só se ouve, em literatura, da maneira que Fernando Pessoa indicou: ecoa na nossa «alma distante». Já não é um som, é um advérbio, como o mostra um dos mais vivos passos deste belo livrinho: «o sino tocava a finados vibrantemente, oh! Sim vibrantemente! Vitoriosamente e inexoravelmente»”.

Gosto deste livro. Porquê? Eis para o que serve um prefácio: para amarmos menos – mediante a abstracção que preceitua – o que era directo na adesão simbólica. Explicar um gosto é desgostarmo-nos dele distanciando-o. Corre nestas páginas uma linfa pura: a alvorada de uma grande escritora, (…).”

Com menos de sete anos, Taia vai de Lisboa para o campo. Toda ela é sentidos e imaginação. Pelo sentidos canaliza a natureza e o social: as amoras verdes que acidulam o gosto, a mica faiscante que deslumbra a vista, as urtigas que fustigam a pele, o rosmaninho que rescende, os besoiros que sucumbem,  o velo adulto que o pudor esconde, o incenso que da igreja se evola, o tloque-tloque dos tamancos que passam, a feia língua que se recolhe a hóstia, o calafrio ou o rubor que as emoções causam.”

Da obra, propriamente dita, encantei-me com a frescura, a leveza, a ingenuidade, mas também, com a profundidade e o sentido por detrás de certas narrativas, um olhar que uma criança muitas vezes não alcança e que só o cuidado de um adulto atento consegue deixar impresso no texto, especialmente no tempo em que foi publicado, o texto abarca o período que a autora passou em Oliveira de Frades, região de Viseu - dos sete aos dez anos - por motivo de convalescença de seu pai.

Se era uma distração agradável apanhar as rãs, quase era melhor ficar ali gozando aquela integridade. E digo gozando porque se tratava de algo que me dava impressão de plenitude contente de si mesma. E a minha contemplação era às vezes tão profunda, tão perfeita, que era como se todo o meu ser, por instantes, tivesse sido absorvido e assimilado por aquela unidade.

O que eu esperava, no entanto, era o fim, o fim de tudo. Até ao momento de ser fechado o caixão, via-se o morto muito quieto, sem mexer, sem falar mas parecendo ter afinal um resto de vida só por se encontrar ainda entre os vivos. Estava em família, entre pessoas e coisas conhecidas, talvez ouvisse mesmo as vozes e sentisse o cheiro das flores à sua volta.”

Poderia continuar a transcrever partes de um texto que descreve de forma magistral as diferenças sociais, desde os lugares que as “senhoras” e as outras ocupavam na igreja, passando pela descrição do aspeto físico da “Cândida Maluca”:  “(…)quando tirava a capucha via-se-lhe um cabelo raro, empastado e pegado ao couro da cabeça por causa de andar sempre achatado e de nunca levar pente. A cara era pálida, magra e sulcada; os olhos sem alma, a boca sem vida. (…)” ou como os homens devoravam a comida e a bebida, em troca de trabalho duro na quinta: “(…) Eles gostavam de trabalhar na nossa casa: dava-se-lhes bom vinho e boa comida. (…).

Enfim, este é um texto riquíssimo de conteúdos e sentimentos, pueris por um lado, amadurecidos pelo outro.

Termino esta reflexão mais longa do que o habitual, não sem antes vos contar que As Velhas Senhoras e Outros Contos e Assembleia de Mulheres, ambas pela Relógio D’Água, em (1992) e (1999), respetivamente, ficarão a aguardar oportunidade de encontro.

Natália Nunes, uma escritora esquecida a necessitar de ser reeditada, recomendo vivamente a sua descoberta…