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terça-feira, 20 de julho de 2021

Livro: A Morte de Ivan Iliitch, Lev Tolstoi, Clássicos Relógio D’Água, 1ª edição/nov07.

Ultimamente, tenho lido livros pouco volumosos e com imenso conteúdo. Tem sido um regalo, se assim posso expressar-me, não, obviamente, por serem “magros” em termos de quantidade de folhas, mas porque tenho aprendido muito e sentido um grande prazer na sua leitura. 

Desta vez, refiro-me a A Morte de Ivan Iliitch, de Lev Tolstoi (1828-1910), não chegam a 100 páginas de puro deleite, a abordagem de um tema que acompanha o homem: a doença, o sofrimento, a dor, a morte.

Qual o significado da nossa vida, porque temos que sofrer para chegar à morte, quem cuidará de nós quando disso necessitarmos?

São muitas as perguntas, poucas as respostas. 

O posfácio é de Vladimir Nabokov, muito bom. 

Como a doença avançava passo a passo, impercetivelmente, era impossível dizer ao certo por que razão, ao terceiro mês da doença, a mulher, a filha o filho, a criadagem, os amigos e conhecidos, os doutores e, sobretudo, ele próprio, já todos sabiam que o único interesse por Ivan Iliitch era conhecer a altura em que, finalmente, ele largaria o seu lugar e libertaria os vivos do incómodo causado pela sua doença, e se libertaria a si próprio dos seus sofrimentos.”

 O sofrimento principal de Ivan Iliitch residia na mentira – a mentira, por todos reconhecida, de que ele estava apenas doente e não moribundo, de que lhe bastava ficar calmo e tratar-se para que o resultado fosse uma coisa muito boa.”

Esta mentira, incidindo nele em vésperas da sua morte, uma mentira destinada a rebaixar o acto solene e terrível da sua morte até ao nível das visitas, dos cortinados e dos esturjões do almoço de família… era muito dolorosa para Ivan Iliitch.”

Finalmente:

Todos havemos de morrer. Porque não haveria de o servir? – disse ele, [Guerássim] exprimindo a ideia de que não se incomodava com o seu trabalho porque o cumpria para um homem moribundo e de que, quando chegasse a sua hora, esperava que houvesse também alguém que se encarregasse desse trabalho para com ele.” 

Obrigatório ler…


 

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

in A Morte de Ivan Iliitch, de Lev Tolstói, Relógio d'Água.

"Como a doença avançava passo a passo, imperceptívelmente, era impossível dizer ao certo por que razão, ao terceiro mês da doença, a mulher, a filha, o filho, a criação, os amigos e conhecidos, os doutores e, sobretudo, ele próprio, já todos sabiam que o único interesse por Ivan Iliitch era conhecer a altura em que, finalmente, ele largaria o seu lugar e libertaria a si próprio dos seus sofrimentos."


Para Nabokov " Esta história é o feito mais artístico, mais perfeito e mais sofisticado de Tolstói."

domingo, 24 de setembro de 2017

Livro: Guerra e Paz, Lev Tolstoi, Relógio D’Água, 2013.

Iniciei a leitura desta obra literária em dezembro de 2016 e só a terminei ontem, nunca até agora me tinha demorado tanto num livro.   
Guerra e Paz, de Lev Tolstoi, não é um livro qualquer, mercê de um desafio profissional, abrandei a sua leitura e entreguei-me a fundo ao estudo do direito aduaneiro e afins, além de que durante quase 9 meses, li dois números da Granta, dois da LER, quinzenalmente o JL e semanalmente a Visão.
Não sei bem como classificar esta obra, mais de 1200 páginas, inicialmente vi-a como um romance, mas chegado ao último quarto do livro, mais me parecia que estava a ler um ensaio. Guerra e Paz é seguramente a melhor obra literária que li até hoje. E por vários motivos.
Não sou especialista em literatura ou sequer uma académica, sou apenas uma pessoa que gosta muito de ler e que já leu algumas coisas, umas mais interessantes e difíceis do que outras. Quanto mais leio, mais me apercebo do muito que quero ler, descobrir e desfrutar.
Descobri Lev Tolstoi através da leitura de Anna Karenina, um romance fenomenal. Mas, Guerra e Paz supera tudo o que já li, volto a repetir-me, mas, porque penso assim?
Porque Guerra e Paz é um romance de personagens extraordinariamente densas, bem construídas, com alma, personalidade, qualidades, defeitos, humanas. Tolstoi retrata e expõe toda uma sociedade, uma época, a divisão social, o modo de viver de todo um povo, o seu povo, a sua terra, o seu imenso país, a Rússia. Depois, constrói uma trama que envolve e relaciona todas as personagens de uma forma tão verosímil, conduzindo-nos a um devir de guerra, quando Napoleão e os exércitos que conseguiu reunir: franceses, alemães, polacos, decidem invadir a Rússia, chegando até Moscovo, ocupando-a, pilhando-a, incendiando-a e abandonando-a, fugindo.
Tolstoi disserta sobre estratégia militar, probabilidades, governança politica, história, numa escrita fabulosa, cheia de mestria, conhecimento e talento.
É sem dúvida uma tarefa quase hercúlea ler uma obra tão extensa, nos tempos sempre apressados em que vive a maioria de nós, mas, ao mesmo tempo que prazer se sente, ler algumas das mais bem escritas páginas de sempre, ao fim de um dia de trabalho. Vale a pena, valeu a pena todo o tempo gasto a saborear, a entender as suas palavras tão ricas de conteúdo.
Do escritor já havia lido Anna Karenina um dos mais belos livros que li, depois seguiu-se esta epopeia, voltarei a Lev Tolstoi, pois lê-lo faz-me amar, mais ainda, a literatura.
Termino recomendando vivamente que se lancem à aventura de ler Guerra e Paz, de Lev Tolstoi…



terça-feira, 31 de março de 2015

Livro: Anna Karénina, Lev Tolstoi, Relógio D’Água, 2006

Iniciei 2015 terminando a leitura de uma obra que é considerada um clássico da literatura mundial, a sua primeira edição data de 1877 e realmente, para mim, no contexto do muito que já li, Anna Karénina de Lev Tolstoi será um marco nas minhas deambulações literárias.
Anna Karénina é uma obra tão assombrosa, que dela poder-se-iam extrair várias obras, tal a sua riqueza temática, a profundidade e a complexidade dos pares de personagens, à volta dos quais é construído um dos mais belos romances escritos até hoje.
A personagem que dá o nome ao romance é a personagem mais fascinante, mais heterodoxa, para a época em que foi escrito o romance, enredada num mundo de convenções e hipocrisias, é extraordinária a capacidade que o autor revelou ao construir uma personagem como a Anna, uma mulher que sonhou, ousou, lutou, mas que acabou por sucumbir num mundo onde as mulheres não possuíam direitos só deveres.
Estreei-me na literatura russa há muitos anos, com o Arquipélago de Gulag de Alexander Solzjenitsyn, um escritor russo que recebeu o Nobel da Literatura em 1970, não se tratando como é sabido, de um romance, mas sim um testemunho, já na altura tinha gostado muito da sua forma de escrever, mas, agora com Tolstoi, o fascínio foi total.
Recomendo vivamente a leitura deste extraordinário romance, com esta leitura acrescentei mais uma antepara, uma forte antepara, ao meu conhecimento literário, à maravilhosa forma como é possível escrever, contar uma, várias histórias ao mesmo tempo, mas não só, ao meu conhecimento do mundo e à forma como as sociedades têm tratado as mulheres.