Mostrar mensagens com a etiqueta Simone de Beauvoir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Simone de Beauvoir. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Leituras

Terminei, conclui, acabei de ler o segundo volume de “O Segundo Sexo”, de Simone Beauvoir!

Mais uma vez a literatura ajudou-me a atravessar os dias mais negros que vivi em toda a minha vida.

Os filhos, a mãe, as irmãs, o irmão, as cunhadas e os cunhados, os sobrinhas e os sobrinhos, as primas e os primos, os amigos, os conhecidos, os colegas e os amigos facebokianos foram e continuarão a ser os contrafortes nesta minha nova fase existencial, apesar de acreditar que ao primeiro pedido de ajuda virão em meu socorro, eles, todos eles têm as suas vidas próprias, o seus caminhos para trilhar.

Os Livros, esses, silenciosos, tranquilos, apaziguantes, acompanharam-nos sempre nos momentos importantes e difíceis, leitores desde há muito, noutras paragens, noutros continentes (Moçambique), sempre encontramos nos Livros, amparo e confiança.

Os Livros, os escritores, a literatura, acolhe-nos, conforta-nos, tem guardada uma palavra para cada um de nós.



sexta-feira, 4 de março de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume I, Quetzal, 2015.

“Deste modo, o destino da mulher e o socialismo estão intimamente ligados, como se vê igualmente na vasta obra consagrada por Babel à mulher, «A mulher e o proletário», diz ele, «são ambos oprimidos.» É o mesmo desenvolvimento da economia a partir das modificações provocadas pelo maquinismo que deve libertar uma e outro. O problema da mulher reduz-se ao da sua capacidade de trabalho. Forte na época em que as técnicas se adaptavam às suas possibilidades, destronada quando se tornou incapaz de explorá-las, ela volta a encontrar no mundo moderno a sua igualdade com o homem.”


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume 1, D. Quixote, 2015.

“O psicanalista descreve-nos a criança e a rapariga solicitadas a identificar-se com o pai ou a mãe, hesitantes entre as tendências «virilóides» e «femininas»; ao passo que nós concebemos a mulher hesitando entre o papel de objecto, de Outro, que lhe é proposto, e a reivindicação da sua liberdade.

Para nós, a mulher define-se como ser humano em busca de valores no seio de um mundo de valores, mundo cuja estrutura económica e social é indispensável conhecer; nós estudá-la-emos numa perspectiva existencial através da sua situação total.”



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume 1, D. Quixote, 2015.

“Quanto às servidões da maternidade, elas assumem, segundo os costumes, uma importância muito variável: são esmagadoras se se impõem à mulher muitas procriações e se ela deve alimentar e cuidar dos filhos sem mais ajuda; se procria livremente, se a sociedade a auxilia durante a gravidez e se se ocupa da criança, os encargos maternais são leves e podem ser facilmente compensados no campo do trabalho.”


sábado, 16 de janeiro de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume 1, D. Quixote, 2015.


“Seguramente a sexualidade desempenha na vida humana um papel considerável: pode dizer-se que a penetra por inteiro. A fisiologia já nos mostrou que a vida dos testículos e a dos ovários confundem-se com a do soma. O existente é um corpo sexuado; nas suas relações com os outros existentes, que são também corpos sexuados, a sexualidade está, portanto sempre, sempre empenhada; mas, se corpo e sexualidade são expressões concretas da existência, é também a partir desta que se pode descobrir-lhes as significações: sem essa perspectiva, a psicanálise toma por verdadeiros factos inexplicados.

“Os psicanalistas consideram que a verdade primeira do homem é uma relação com o seu próprio corpo e com o corpo dos seus semelhantes no seio da sociedade.”



sábado, 9 de janeiro de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume 1, D. Quixote, 2015.

“A mulher é uma fêmea na medida em que se sente fêmea. Há dados biológicos essenciais e que não pertencem à situação vivida. Assim é que a estrutura do ovário nela não se reflecte; ao contrário, um órgão sem grande importância biológica, como o clítoris, nela desempenha um papel de primeiro plano. Não é a natureza que define a mulher; esta é que se define, retomando a natureza em sua afectividade.”