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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Livro: Os Olhos de Aura, Licínia Quitério, Poética Edições, 2017.


O mês de julho terminava e eu concluía a leitura do segundo romance de Licínia Quitério (1940-), uma escritora e poetisa nascida mafrense que conheci na rede social facebokiana há alguns anos.

A leitura deste pequeno romance (134 págs.) perturbou-me, com um final inesperado deixou-me um vazio interior, aguardava por um final mais prometedor, mas tal não aconteceu.

É assustador pensar que há vidas assim, sem cor, sem luz, sem esperança de coisa alguma. Vidas comuns em terras pequenas ou grandes, aldeias, vilas ou grandes urbes, vidas iguais a tantas outras, será mesmo assim? É terrível acreditar que sim.

A escrita de Licínia Quitério é muito interessante, sempre em discurso indireto (será que ainda se diz?), os personagens são tratados independentemente uns dos outros e os diálogos entre si dois a dois, uma estreia para mim.

Da autora ainda tenho para ler, além da sua poesia, o romance A Metade de um Homem.

De momento convido-vos a descobrir Os Olhos de Aura…


terça-feira, 31 de março de 2015

Livro: Disco Rígido, Licínia Quitério, Cafilesa, 2013.

10 de Março de 2014

Terminei a leitura de uma edição de autor, julgo ser assim que se chama, aquelas obras não comerciais, foi a primeira vez que tive este prazer.

Gostei de muito ler este conjunto de contos, pequenos contos ou "simples" reflexões, de uns mais do que de outros, uns mais poéticos, outros mais realistas.

Quase todos retratando o quotidiano de pessoas comuns, de casais comuns, de vidas comuns.

Adorei a visão que a autora tem do Convento de Mafra, da sua afeição e da importância que lhe reconhece no seu modo de ser, "...mastaba barroca com o seu peso descomunal, distante a pedra das gentes, muda hierática, construída a ouro e sangue, testemunha de vãs glórias, nascida de promessa, de compromisso, da intrigas de nobres e frades, morada episódica de reis, albergue de monges, de soldados, de paisanos, de prisioneiros, de belíssimas peças de arte, viveiro de lendas mais ou menos macabras...".

Despertou-me a vontade de ler outra obra que nasceu à volta do monumental Convento de Mafra.

Adorável e recomendável a leitura deste livro de prosas.