As escolas e os professores sentem-se acusados e encurralados, mas tem
que ser toda a sociedade a ajudar. Temos de procurar soluções: a
educação é um direito de todos e não apenas dos bons alunos.
A
principal dificuldade tem sido abarcar pessoas oriundas de culturas não
escolares. Um dos fatores mais correlacionados com o insucesso escolar é
a escolarização das mães. O maior desafio é social, de abranger e de
valorizar outro tipo de competências e ao mesmo tempo ser capaz de os
motivar para uma cultura mais intelectualizada, mais formal.
O abandono está muito ligado ao insucesso. A ideia de que a escola
tem que estar ali para que todos aprendam é o melhor combate ao
abandono. Contudo, haverá sempre casos de abandono.Neste momento está a
desenvolver-se um conceito, para casos especiais, que são as escolas de
segunda oportunidade. Foi publicado o despacho 6954 que reconhece "a
importância do trabalho desenvolvido pela escola de Matosinhos, um sonho
pioneiro de construir uma resposta pública para jovens em abandono
precoce". Espera-se que se replique o modelo. Parece-me que é uma
medida realista e que tem sido bem sucedida. Não pode funcionar como um
alíbi que permita que a escola regular não assuma todos os alunos, mas
há miúdos que têm problemas tão graves na vida deles acabam mesmo por
sair. E, nesses casos, é importante que lhes seja dada uma segunda
oportunidade, que pode passar por complementarem a sua formação enquanto
trabalham ou voltar a tempo inteiro à escola.
A
educação de adultos. Temos uma sociedade com uma geração mais nova
muito qualificada, mas com a geração acima com um dos mais baixos níveis
de escolarização da Europa.
As
escolas devem assumir que todos os meninos têm que aprender e a escola
está lá para isso. Devia-se fazer na Educação algo equivalente ao
juramento de Hipócrates da Medicina.
Um dos historiadores mais famosos do século XIX, católico e político
muito activo, Lord Acton - John Emerich Edward Dalberg-Acton - nasce
neste dia em Inglaterra. Escreveu que «os grandes homens são
geralmente péssimas pessoas».
Agenda Literária 2020, Helena Vasconcelos, Quetzal.