quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Viva, o pai natal finalmente chegou à Madeira...
Viva, o pai natal finalmente chegou à Madeira e trouxe tudo o que lhe pedi: a minha querida poetisa, Maria Teresa Horta, a igualmente querida, Teolinda Gersão, já tinha sentido a sua falta e ainda, Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho, o escritor sensação de 2017. Cada vez que recebo novos livros, sinto-me rejuvenescer...
domingo, 31 de dezembro de 2017
Livro: Os Maias, Eça de Queirós, Círculo de Leitores, 1978.
Esta madrugada terminei
a leitura deste notável romance de Eça de Queirós, sendo um livro de leitura de
estudo obrigatório é por isso, mal-amado por muitos estudantes do ensino
secundário, é um romance com muitas páginas, complexo, mas também muito
completo do ponte vista da sintaxe, possui uma escrita límpida e clara e mais
do que uma estória de amor, traça um retrato fiel e irónico, da sociedade
portuguesa, especialmente da lisboeta, na segunda metade do XIX.
As classes sociais e
políticas, as convenções sociais são aqui esmiuçadas e retratadas de uma forma
impiedosa e sarcástica.
Através dos personagens
que criou e que passam diante dos nossos olhos, fiquei fã do João da Ega,
conseguimos compreender porque este é o Romance que todos os estudantes devem
ler e desfrutar.
“Depois Carlos,
outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o
governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada a recear… Não se
abandonar a uma esperança – nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e
o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias
agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria
organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se
perder no infinito Universo… Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não
ter contrariedades.
Ega, em suma,
concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de
vida, era da inutilidade de todo o esforço. Não valia dar um passo para
alcançar coisa alguma na Terra – porque tudo se resolve, como já ensinar ao
sábio do «Eclesiastes», em desilusão e poeira.”
É um romance intenso,
de leitura fácil, uma estória de uma atualidade desconcertante, não temam,
mergulhem na leitura de Os Maias e não se vão arrepender, bem pelo
contrário...
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
sábado, 9 de dezembro de 2017
Livro: Lápides Partidas, Aquilino Ribeiro, Círculo de Leitores, 2008.
Terminei há pouco a
leitura de mais um romance de Aquilino Ribeiro (AR), já lá vão quatro e tenho
ainda o triplo para desfrutar.
Gosto de regressar a AR, sinto mesmo uma certa
necessidade intelectual e literária de continuar a descobrir os nossos
clássicos, pela sua forma plástica de nos transmitir ideias e acontecimentos,
pela sua intemporalidade, infelizmente nem sempre pelas melhores razões.
Dos romances que li de
AR, Lápides Partidas é o primeiro cuja ação decorre maioritariamente em
Lisboa, mercê da vinda para a cidade de Libório, o personagem à volta do qual
se desenvolve toda a trama. Libório, é um jovem homem, cheio de ideais
republicanos que vem para a capital à procura de trabalho e sobretudo anseia
participar na ação revolucionária de derrube da monarquia vigente.
O romance permite-nos
compreender o estado em que se encontrava o país, política, económica e
socialmente, é um retrato de um país pobre, atrasado, um quase salve-se quem
puder.
Libório questiona-se,
quando já no final, foge do país tendo como objetivo chegar a Paris, para tal
passa a fronteira em direção ao país vizinho e sente logo a diferença:
“(...) Era Espanha, gente de Espanha; outra louça.
(...) Lá está Aldeia del Obispo ao fundo da
encosta, saraivada de branco … e um aspecto sério de aglomeração ordenada e
progressiva; lá estão sulcando o céu claro, como as linhas de papel de música,
suspensos de paralelogramos certos e espaçados – os paralelogramos da
civilização – os fios da electricidade, do telefone, do telegrafo.
(...) Porquê? Porque é que esta má sina persegue
ao «triste do lusíada, coitado» Não sei. Mas uma das ilações a tirar será esta:
desde tempos imemoriais que andam falseadas nesta terra as barras de comando. A
tragédia de Fevereiro [assassinato do rei e do príncipe] tem de ser vista à luz
pavorosa deste prisma.”
E termina, concluindo,
este notável romance:
“E a que luz as outras realidades? Sim, porque a gente da minha terra,
eu, meus pais, os cavadores, os meus amigos, o meu espírito, o nosso espírito
correm mundo sob um manto de desdita e menoscabo!”
É uma aprendizagem
permanente e prazerosa, sobretudo em termos linguísticos, ler Aquilino Ribeiro!
Recomendo vivamente que
partam à descoberta dos nossos clássicos…
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
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