domingo, 7 de fevereiro de 2016

Agustina Bessa-Luís.

“Génio.

É curioso observar que os artistas menores quase sempre deixam um rasto de testemunhos considerável. Enquanto os indivíduos como Shakespeare, Camões ou Cervantes. Homero e Vergílio, ficam submersos numa bruma misteriosa. Isto acontece decerto porque se trata de pessoas saturninas, inclinadas à solidão e que se repudiam a fácil intimidade. “Estou sempre só e não falo com ninguém” – diz Miguel Ângelo.”


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Robert Byron in Estrada para Oxiana, Tinta-da-China.

“Quando o barco começou a soltar amarras, as preocupações de cada um dos passageiros, a mala perdida, o recanto indevidamente apropriado, foram esquecidas.”

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo, volume 1, D. Quixote, 2015.

“O psicanalista descreve-nos a criança e a rapariga solicitadas a identificar-se com o pai ou a mãe, hesitantes entre as tendências «virilóides» e «femininas»; ao passo que nós concebemos a mulher hesitando entre o papel de objecto, de Outro, que lhe é proposto, e a reivindicação da sua liberdade.

Para nós, a mulher define-se como ser humano em busca de valores no seio de um mundo de valores, mundo cuja estrutura económica e social é indispensável conhecer; nós estudá-la-emos numa perspectiva existencial através da sua situação total.”



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

É uma honra ser assinante...

O primeiro dia de vida do JL, a 3 de março de 1981:

Virginia Woolf in Rumo ao Farol, Relógio D’Água, 2008.

“Imediatamente, pareceu ela dobrar-se sobre si mesma, pétala fechada em outra pétala, e eis que a sua interior organização sobre si própria tombava de fadiga, de forma que apenas lhe sobrava a força bastante para mover um dedo, num estranho abandono ao cansaço, ao longo da página da história de fadas de Grimm, enquanto através de si palpitava, qual pulso que na Primavera até ao máximo se expandisse e agora suavemente deixasse de bater, a embriaguez da criação triunfante.”


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Maria Teresa Horta in Eclipse, Meninas, D. Quixote, 2014.

“Pelas palmas de ambas as mãos juntas e abertas em leque perpassou um levíssimo tremor de apreensão, de quem pretende transportar, preservando, o pouco que resta de si, delicado e frágil. E há medida que ia fluindo, Laura curvava-se mais e mais um tanto, na protecção do que levava unido ao peito, na concavidade tépida criada pelo gesto imóvel que os dedos sustinham, sem brechas, sem esquinas nem aspereza de nenhuma espécie: um pequeno coração rubro, a pulsar sobressaltado. Idêntico a uma rosa de sangue.
Tremeluzindo na cerração do eclipse.”