domingo, 3 de janeiro de 2016

Eugénio Lisboa in Pro Memória, JL nº 1180 de 2015-12-23.

 “Após a leitura deste livro de LAS (Luis Amorim de Sousa), apetece-me dizer ao mundo, para que conste: “Afinal, a amizade existe!» Só o não digo porque estaria a ser injusto ao insinuar que só agora o descobri: neste crepúsculo da minha vida, já há algum tempo confirmei o que antes descobrira, com emoção e gratidão: que a amizade existe, de facto, e que é um bem muito mais precioso do que a inteligência ou o talento. Quando, com estes, se combina, tanto melhor, mas ela, por si só, vale e cintila. A bondade une, a maldade separa – notava Huxley. A bondade, a amizade operam milagres de que a inteligência, por si só, não é capaz.”


sábado, 2 de janeiro de 2016

Agustina Bessa-Luís in Camilo e as Circunstâncias, Guimarães Editores, SA.

“Com dezasseis anos, é-se cruel, ingrato, irreflectido, mas não se conhece a indústria da vulgaridade. (…) A profanação faz parte do manifesto dos que são novos.”



Paul Theroux in “Villa Moro”, Granta 3, Tinta-da-China.

“Com tão escassa bagagem, era-me fácil encetar explorações e tomar decisões repentinas: ficar, partir, matar o tempo na praia pedir boleia ou dormir em terceira classe no comboio nocturno para poupar dinheiro.”


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Bernardo Soares/Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego, Ática, 1982.


“Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um Livramento, aquellas phrases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho da sua aldeia. D’alli, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade… «Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura.»
Phrases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dicto, limpam-me de toda a metaphysica que espontaneamente accrescento á vida. Depois de as ler, chego a minha janella sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.”






Luís Miguel Cintra in entrevista de Maria Leonor Nunes, JL nº 1180 de 2015-12-23.

“Tenho a humildade suficiente para perceber que há uma outra maneira de viver a arte que não é a minha, talvez seja mais ligeira. Mas se calhar a vida toda é hoje mais ligeira. E de alguma maneira, é também mais livre. Um filme como As mil e uma Noites do Miguel Gomes encantou-me por causa da surpresa da sua atitude política.

As pessoas têm que se sentir livres na maneira de pensar para criarem. E nesse sentido, o principal é a educação. Tenho sentido arrepios terríveis, quando vejo a unanimidade em torno dos tais valores da eficácia, da qualidade e do progresso. Porque por detrás disso está o dinheiro.”