“Após
a leitura deste livro de LAS (Luis Amorim de Sousa), apetece-me dizer ao mundo,
para que conste: “Afinal, a amizade existe!» Só o não digo porque estaria a ser
injusto ao insinuar que só agora o descobri: neste crepúsculo da minha vida, já
há algum tempo confirmei o que antes descobrira, com emoção e gratidão: que a
amizade existe, de facto, e que é um bem muito mais precioso do que a
inteligência ou o talento. Quando, com estes, se combina, tanto melhor, mas
ela, por si só, vale e cintila. A bondade une, a maldade separa – notava Huxley.
A bondade, a amizade operam milagres de que a inteligência, por si só, não é
capaz.”
domingo, 3 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
Agustina Bessa-Luís in Camilo e as Circunstâncias, Guimarães Editores, SA.
“Com
dezasseis anos, é-se cruel, ingrato, irreflectido, mas não se conhece a
indústria da vulgaridade. (…) A profanação faz parte do manifesto dos que são
novos.”
Paul Theroux in “Villa Moro”, Granta 3, Tinta-da-China.
“Com
tão escassa bagagem, era-me fácil encetar explorações e tomar decisões
repentinas: ficar, partir, matar o tempo na praia pedir boleia ou dormir em
terceira classe no comboio nocturno para poupar dinheiro.”
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Bernardo Soares/Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego, Ática, 1982.
“Releio
passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um Livramento,
aquellas phrases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do
pequeno tamanho da sua aldeia. D’alli, diz ele, porque é pequena, pode ver-se
mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade…
«Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura.»
Phrases
como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dicto, limpam-me de
toda a metaphysica que espontaneamente accrescento á vida. Depois de as ler,
chego a minha janella sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos
astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo
todo.”
Luís Miguel Cintra in entrevista de Maria Leonor Nunes, JL nº 1180 de 2015-12-23.
“Tenho
a humildade suficiente para perceber que há uma outra maneira de viver a arte
que não é a minha, talvez seja mais ligeira. Mas se calhar a vida toda é hoje
mais ligeira. E de alguma maneira, é também mais livre. Um filme como As mil e uma Noites do Miguel Gomes
encantou-me por causa da surpresa da sua atitude política.
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