"A
marquesa de Alorna (Leonor de Almeida Portugal – 1780/1838) foi uma grande
figura do seu tempo, aliás com um percurso de vida riquíssimo e multifacetado,
que tem designadamente um magnífico romance que lhe é dedicado e disso mesmo
bem ilustrativo: As Luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta. Como poeta, com o pseudónimo
de Alcipe (que lhe foi “inventado” por Filinto Elisio), tem uma larga obra, de
que em vida só deu a conhecer uma pequena parte, divulgada em manuscritos, não
obstante isso sendo bem conhecida. E “a sua obra completa em verso teve uma
única edição promovida pelas suas filhas em 1844”, como assinala a especialista
Vanda Anastácio (VA), responsável pela organização, introdução e nota
bibliográfica desta antologia, Obra Poética, saída na muito útil e oportuna
Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa, da Imprensa Nacional – Casa da
Moeda, dirigida por Carlos Reis, que assina também uma nota “prévia”. Antes
desta, sublinha ainda VA, foi publicada em Portugal só uma antologia da lírica da
Alcipe, em 1960, e no Brasil uma edição critica dos sonetos, em 2008. Para “desfrutar
da leitura dos seus versos o leitor de hoje deverá dispor-se a empreender uma
espécie de viagem mental ao Portugal do Século das Luzes, situar os elementos
mais datados dos seus versos no tempo longo da História e deixar-se tocar por
esses outros aspetos que não perderam atualidade”, sublinha ainda a prefaciadora.”
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
sábado, 10 de outubro de 2015
"A necessidade biológica - desejo sexual e desejo de posteridade - que coloca o macho sob a dependência da fêmea não libertou socialmente a mulher."
Iniciei
a leitura da obra O Segundo Sexo de
Simone Beauvoir e só me ocorre perguntar: por onde tenho andado? Que caminhos percorri
até chegar a esta espantosa obra? E não foi por falta de aviso e de
recomendação!
Leio
na contracapa do livro:
“O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo e dos estudos de género, e
as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam á
construção de categorias como «mulher» ou «feminino» - e que estão na base da
opressão das mulheres – são hoje amplamente aceites.”
E
de acordo com a autora, o livro foi escrito nos anos de 1948-1949.
Em
minha opinião permanece atualizadíssimo!
Para começar aprendi uma nova palavra:
Alteridade, o que, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa,
2002, significa:
“1. Natureza ou condição do que é outro, do
que é distinto. 2. Situação, estado ou qualidade que se constitui através de
relações de contraste, distinção, diferença [Relegada ao plano de realidade não
essencial pela metafísica antiga, a alteridade adquire centralidade e
relevância ontológica (parte da filosofia que estuda a natureza do ser) na
filosofia moderna e especialmente na contemporânea.”
Um
conceito importante para a autora.
Por
exemplo:
“Porque
não contestam as mulheres a autoridade do macho? Nenhum sujeito se coloca
imediata e espontaneamente como não-essencial; não é o Outro que, definindo-se
como Outro, define o Um; ele é posto como Outro pelo Um definindo-se como Um.
Mas para que o Outro não se transforme no Um é preciso que se sujeite a esse
ponto de vista alheio. De onde vem essa submissão na mulher?”
Ou:
“O
casal é uma unidade fundamental cujas metades se acham presas indissociavelmente
uma à outra; nenhum corte é possível na sociedade por sexos. É isso que caracteriza
fundamentalmente a mulher: ela é o Outro dentro de uma totalidade cujos dois
termos são necessários um ao outro.”
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Livro: Meninas, Maria Teresa Horta, D. Quixote, 2014.
A
ouvir John Coltrane escrevo sobre mais uma obra que acabei de ler de Maria
Teresa Horta: Meninas.
Um
livro extraordinariamente belo, intenso e terrível. São trinta contos, trintas
histórias sobre outras tantas Meninas, princesas, burguesas, humildes,
abandonadas, desamparadas, violentadas, física e psicologicamente.
Afinal,
porque tem que ser esta, a sina de todas as Meninas ao longo dos tempos?
“O
monstro morreu: em seu lugar
nasceu
uma menina que era
sozinha
Clarice
Lispector”
Gostei
da evocação da espantosa D. Leonor de Almeida, condessa de Oeynhausen, a
querida Leonor das Luzes, personagem principal de um dos livros que mais gostei
de ler nestes já muitos anos que levo de livros e leituras.
Gosto
da forma poética que MTH imprime à sua escrita, uma forma rica, minuciosa,
mágica, na descrição dos ambientes e sobretudo das personagens que compõem as suas
narrativas. Se fico preocupada com os monstros que grassam pelos seus textos,
deixa-me sempre descansada a existência de anjos que protegem as Meninas de
todo o mal.
Confesso
que não estava preparada para o último conto. A história de Estrela, uma menina abusada. Uma
história terrível, intensamente contada, que infelizmente retrata uma realidade
que continua muito atual e que por esse motivo tem mesmo que ser gritada.
“Quando
as meninas
fitam
o nada
de
olhos vagos
Uma
brisa cruel
vacila
e sussurra
no
seu peito
Estão
a ver um anjo
-
imagino
Mas
as mães
desesperam”
Com
esta maravilhosa obra de Maria Teresa Horta, iniciei um plano de leituras só de
escritoras, segue-se Simone de Beauvoir e o ensaio O Segundo Sexo, 1º volume, da Quetzal:
Este
é o mote:
“Compreende-se
que a dualidade dos sexos (…) tenha sido traduzida por um conflito.
Compreende-se que, se um dos dois conseguisse impor a sua superioridade, esta
deveria estabelecer-se como absoluta. Resta explicar porque venceu o homem desde
o início. Parece que as mulheres deveriam ter saído vitoriosas. Ou a luta
poderia nunca ter tido solução. Por que razão o mundo sempre pertenceu aos
homens e só hoje as coisas começam a mudar?”
Termino
esta prédica que já vai bem longa, recomendando a leitura de Meninas de Maria Teresa Horta, faz-nos
bem ler…
terça-feira, 29 de setembro de 2015
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