terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Livro: Dora Bruder, Patrick Modiano, Porto Editora, 2015
Em
dois dias apenas, li esta pérola literária, um pequeno livro com pouco mais de
100 páginas, uma obra literária que mais parece uma peça de filigrana, tão
delicada é a sua construção. Cheia de volteios, de minudências. De início achei
a escrita algo obsessiva, no sentido de ser tão pormenorizada no descrever o
nome das ruas e o número dos prédios, mas depois, compreendi.
Compreendi
que esta obra é um hino ao não esquecimento dos milhares de seres humanos que
passaram por inúmeras provações durante a Ocupação pelos nazis, de Paris, de
França, da Europa, só por serem judeus. Os próprios franceses tudo fazem para
esquecer, as conivências, os colaboracionistas, o que aconteceu naqueles anos,
na sua terra. Pode-se achar que P. Modiano é um escritor algo obsessivo, mas,
quem não o seria com um passado como aquele que a Europa tem?
Enquanto
existirem escritores como Patrick Modiano, nós nunca vamos esquecer o que se
quer esquecido.
Patrick
Modiano recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 2014 e é considerado um dos
mais importantes escritores franceses da atualidade.
Vou
com toda a certeza voltar a este escritor, para já só posso recomendar
vivamente a leitura de Dora Bruder.
sábado, 6 de junho de 2015
Livro: Agarra o Dia, Saul Bellow, Relógio D’Água, 2014
Terminei
a leitura de uma obra de um novo autor, bem, novo, ele é para mim, já que no
passado dia 5 de abril completaram-se 100 anos desde o seu nascimento (1915 –
2005).
Do
que pude apurar, Saul Bellow recebeu em 1975, o Prémio Pulitzer com o romance O
Legado de Humboldt e o Prémio Nobel de Literatura em 1976, é também o
único romancista que já ganhou três National Book Awards, com as obras As
Aventuras de Augie March, Herzog e o Planeta do Senhor Sammler.
A
obra que terminei reflete perfeitamente a referência que é feita como
justificação do Prémio Nobel que recebeu em 1976: «pela sua capacidade de
compreensão humana e cuidadosa analise da cultura contemporânea», com efeito,
senti a angústia do personagem principal, o seu falhanço como profissional,
como marido, como pai e até como filho, numa sociedade que hipervaloriza o
sucesso financeiro acima do próprio ser humano.
A
ação desenrola-se ao longo de um só dia e em 124 páginas percebemos como é
fácil perder o pé numa sociedade tão sufocantemente materialista, como a norte
americana.
É
minha intenção ler outras obras deste escritor, para já, recomendo a sua
leitura…
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Granta 5 - Falhar Melhor, Vários, Tinta-da-China, 2015.
O
mote deste último número da Granta,
tem como origem uma expressão de Samuel Beckett:
“Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Falhar outra vez. Falhar melhor.”
“Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Falhar outra vez. Falhar melhor.”
“Lida assim, desprende-se da frase de Beckett
um evidente cansaço «Tudo desde sempre». São palavras para pessimistas, de que
os otimistas legitimamente se apropriam: «outra vez», «melhor».
Ressurreição”, escreve no Editorial, Carlos Vaz Marques, o Diretor da revista.
Ressurreição”, escreve no Editorial, Carlos Vaz Marques, o Diretor da revista.
Eu
escolho o olhar otimista, prefiro tentar, a não fazer, prefiro errar, a nunca
outra coisa, prefiro falhar, falhando melhor.
A
Granta 5, traz-nos um conjunto de
textos fortes, intensos, tal como o de abertura, Morrer é mais difícil do que parece, de autoria de Paulo Varela
Gomes, que inicia o seu texto com esta afirmação: Tenho um cancro de grau IV.
O
conto Sempre a mesma neve e sempre o
mesmo conto, de Herta Muller, é envolvente, é forte, adorei. O conto Carta para navegação de vazios, de Joana
Bartholo é complexo e visionário, traz-nos os pensamentos de um doente mental. Muito
interessante, o conto O Bife Choramingas,
de Howard Jacobson, mas muito atual. Também o conto histórico As muitas mortes do General Wolfe, é
complexo, mas, muito bom. Com conto O
nome das árvores, da autoria do Jacinto Lucas Pires, termina uma série de
treze textos, de treze diferentes autores, todos interessantes, fortes e alguns
deles bem complexos .
Para
terminar deixo-vos um parágrafo do último conto, tão bom, como o primeiro:
”Diz Natália Ginzburg em Il mio mestiere «Quando estamos felizes a nossa imaginação tem mais força; já quando estamos infelizes é a nossa memória que age mais vivamente.» Gosto desta ideia - ou talvez devesse dizer que acredito nela – da memória e da imaginação como um mesmo gesto, um mesmo fio condutor, digamos regulado pela menor ou maior felicidade de quem lembra ou imagina.”
”Diz Natália Ginzburg em Il mio mestiere «Quando estamos felizes a nossa imaginação tem mais força; já quando estamos infelizes é a nossa memória que age mais vivamente.» Gosto desta ideia - ou talvez devesse dizer que acredito nela – da memória e da imaginação como um mesmo gesto, um mesmo fio condutor, digamos regulado pela menor ou maior felicidade de quem lembra ou imagina.”
Sempre
de muito boa leitura, a Granta,
recomendo pois a sua leitura.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
O meu presente de aniversário.
O meu presente para a Maria Teresa, é ter trazido hoje para casa, a
nova edição de "Minha Senhora de Mim". Quando ainda na livraria abri ao
acaso a obra, deparei-me com um poema, que li em voz mais ou menos baixa
ao meu filho e ao meu marido que me acompanhavam, no final, eles
sorriram para mim:
O MEU DESEJO
Afaga devagar as minhas
pernas
*
Entreabre devagar os meus
joelhos
*
Morde devagar o que é
negado
*
Bebe devagar o meu
desejo
O MEU DESEJO
Afaga devagar as minhas
pernas
*
Entreabre devagar os meus
joelhos
*
Morde devagar o que é
negado
*
Bebe devagar o meu
desejo
sábado, 16 de maio de 2015
Livro: Contos de Tchékhov, Volume I, Clássicos da Relógio D’Água, 2001
Terminei
a leitura do primeiro volume dos Contos de Anton Tchékhov, um escritor russo
muito apreciado, sobretudo, no mundo da dramaturgia, é também um grande
contista. Este volume possui um prefácio de outro grande escritor russo,
Vladimir Nabokov - um escritor que ainda não li -, neste prefácio Nabokov,
refere que o avó de A. Tchékhov “…era
servo – resgatou-se a si mesmo e á família por 3500 rublos…” e que “Tchékhov
começou a escrever os seus primeiros contos para ajudar a família, já que não
havia outro modo de esta sair de uma pobreza humilhante.”
Nabokov
tece grandes elogios ao escritor e aos seus contos, defendendo-o ferozmente de
quem o criticava na altura, comparando-o com outros grandes escritores, como
Gógol, Flaubert ou Henry James.
“Tchékhov escrevia livros tristes para
pessoas alegres; quero dizer com isto que só um leitor com sentido de humor
será capaz de sentir a tristeza deles.” E “O humor de Tchékhov é alheio a isso tudo, é um humor puramente
tchekhoviano. O mundo, para ele, é cómico e triste ao mesmo tempo, e sem
repararmos na sua comicidade não compreenderemos a sua tristeza, porque são
inseparáveis.”
Na
verdade, os contos de que mais gostei prendiam-se com histórias tristes mas com
bastante humor, tais como Os
Papa-jantares, o Vanka ou ainda o
Coisa-Ruim, entre outros, histórias
onde os protagonistas são as pessoas mais humildes da sociedade russa da época.
Gostei
muito da sua forma de escrever, de uma qualidade inexcedível.
Pretendo
adquirir outros volumes de contos (são 12, os volumes disponíveis) deste escritor
russo, pois para mim, ler obras desta qualidade literária fazem-me feliz…
Desta
forma, recomendo vivamente a leitura de Anton Tchèkov.
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