terça-feira, 31 de março de 2015

O meu quinquagésimo segundo aniversário.

25 de Abril de 2014 às 14:05
Desde 1974 este dia é particularmente celebrado por mim e por aqueles que me amam e estimam.

Sou uma Mulher de abril em dois sentidos, no pessoal e no sentido em que por amor à liberdade, sempre me pude exprimir e viver a minha vida sem quaisquer constrangimentos sociais, morais e sobretudo legais.
Sou uma Mulher bem resolvida, muito amada, sem traumas, sem mágoas, sem arrependimentos, sem nostalgias bacocas...

Faço hoje 52 anos, já vivi pelo menos metade da minha vida e só consigo pensar no futuro, em sonhos, em projetos...

Faço fotos para que no próximo ano, volte aqui a dar-vos conta de novidades.


Livro: A Garça, Giorgio Bassani, Quetzal, 2013.

25 de Abril de 2014

Nada melhor para comemorar este dia duplamente especial para mim, do que vos dar conta que terminei a leitura de uma obra deliciosamente intimista.
"Numa madrugada de 1947, Edgardo Limentani, proprietário judeu de Ferrara, acorda cedo para uma caçada. Dentro do barril, enquanto olha patos e galeirões sem conseguir disparar, é tomado por uma estranha lucidez: vê-se a si próprio desprendido do mundo, fora do curso da vida, sem afetos, sem apreço por ideias ou ideologias, morto por dentro".
" A Garça é uma novela delicada e pungente que, centrada na angústia de uma crise pessoal, retrata uma sociedade cuja ordem se aproxima do fim".
Li deste autor "O Jardim dos Finzi-Contini" e fiquei fâ, adoro a escrita delicada, mas intensa dos escritores italianos, pelo menos dos poucos que conheço...

Recomendo evidentemente a leitura de "A Garça".


Livro: A Nova Medicina, João Lobo Antunes, FFMS, 2012.

16 de Abril de 2014

Terminei a leitura de mais um ensaio sobre um tema estruturante de todas as sociedades e em particular destaque no nosso País.
Escrito por um reconhecido Professor de neurocirurgia, para uma Fundação que já nos habituou a excelentes publicações, sobre os mais variados temas, sempre em linguagem muito acessível.
Gostei muito dos tópicos abordados relativamente à Nova Medicina, nomeadamente, a ciência, a prática e a ética.
Gostei da reflexão de João Lobo Antunes, quando questionado sobre o progresso da medicina na última década, "... não sei o que nos espera, mas sei o que me preocupa: é que a medicina, empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana e ignore a individualidade única de cada pessoa que sofre, pois embora se invente cada vez mais modos de tratar, não se descobriu ainda a forma de aliviar o sofrimento sem empatia e compaixão."
Também realço a sua ideia acerca do movimento dos cuidados paliativos, que considera uma "conquista moral da Nova Medicina", a que define como "a medicina do crepúsculo, a medicina da última verdade, do conforto do espírito, do alívio prudente do sofrimento, do confronto com o outro, do esforço comunal, da preservação tenaz da dignidade".
Gostei de ler e sobretudo gostei de ficar a saber que se pensam estas matérias...

Recomendo a leitura de este pequeno ensaio de apenas 73 páginas.



Livro: Ambas as Mãos sobre o Corpo, Maria Teresa Horta, D. Quixote, 2014.

13 de Abril de 2014

Terminei a leitura desta obra de Maria Teresa Horta, um romance de apenas 141 páginas, um romance escrito e dado à estampa pela primeira vez em 1970!
Há medida que avançava na sua leitura, mais me espantava pela sua intensidade, pela sua complexa narrativa, tal como escreveu Eduardo Prado Coelho, "Torna-se necessária uma enorme atenção para conseguir analisar a complexidade técnica deste livro sem travar a circulação de energia que o seu funcionamento produz".
Não possuo quaisquer conhecimentos técnicos para analisar este romance como é notório, porém, li e maravilhei-me com sua riqueza descritiva, com sua ousadia, com a sua beleza, mas também me deixei envolver, pela tristeza que deixa transparecer, pela quase desistência, devem ter sido tempos muito difíceis...
Conhecendo já um pouquinho Maria Teresa Horta, este romance só poderia ter sido escrito por alguém que sempre defendeu o direito das mulheres à liberdade de ser e de sentir!

Recomendo vivamente este "pequeno" extraordinário romance.



Livro: A Trégua, Primo Levi, Teorema, 2011.

12 de Abril de 2014

Terminei a leitura desta obra extraordinária, Primo Levi depois de abandonar o Lager alemão de Auschwitz, inicia a viagem de regresso à sua terra natal, Turim, Itália.
Para muitos críticos esta é a obra-prima do autor um "...diário de viagem rumo à liberdade, depois de dois anos de internamento no lager nazi, este livro, mais do que uma simples evocação biográfica, é um extraordinário romance picaresco."
"Cheguei a Turim a 19 de outubro (1945), ao fim de trinta e cinco dias de viagem; a casa estava de pé, todos os familiares vivos, ninguém me esperava. Eu vinha inchado, barbudo e andrajoso, e custou fazer-me reconhece (...) Mas só ao cabo de muitos meses se desvaneceu em mim o hábito de caminhar com o olhar fixo no chão, como que à procura de alguma coisa para comer ou para embolsar rapidamente e vender por pão; e não cessou de me visitar, a intervalos ora curtos ora espaçados, um sonho pleno de terror."
O que mais me surpreendeu nesta obra, foi precisamente a sua temática, na medida em que não conhecia praticamente nada acerca das vivências dos homens, mulheres e crianças, após as sucessivas libertações dos campos de concentração e nos caminhos que percorreram no seu regresso a casa.
Muito há ainda para eu ler e saber...

Recomendo vivamente a leitura desta notável obra.

Livro: A Tragédia da Rua das Flores, Eça de Queirós, Círculo de Leitores, 1993.

3 de Abril de 2014

Iniciei a minha aventura Queirosiana, pela obra A Tragédia da Rua das Flores, um romance editado tardiamente (1980) e ao que pude apurar, no meio de uma certa polémica, por culpa do tema que aborda.
Confesso que a sua leitura me "enervou" pela forma como as mulheres são retratadas, mulheres de família, recatadas, enfeitadas, versus, mulheres cocotes, promiscuas, prostitutas, não existe meio-termo...
Se é verdade que Eça de Queirós, é unanimemente considerado um mestre da arte narrativa, pela sua extraordinária capacidade de fixar os tipos característicos da sociedade portuguesa da época, não apreciei nada o retrato daquela época.
Mas enfim, são tempos que certamente não voltarão!
No fim, um grandfinale muito dramático...

Aniversário da Alfândega do Funchal: 537 anos.



14 de Março de 2014 às 20:00

Amanhã voltamos a celebrar mais um aniversário da nossa venerável Instituição – a   Alfândega do Funchal  –, criada em 15 de março de 1477, por carta da infanta D. Beatriz, tutora de D. Diogo, Duque de Viseu, num período em que a principal razão de ser das alfândegas era a obtenção de receitas, não só para a Coroa, como também, para as casas nobres do reino, aquelas suficientemente importantes para terem acesso a esta fonte de rendimentos, com o objetivo de sustentar o desenvolvimento comercial e a expansão marítima.

Com este desígnio, a criação da alfândega do Funchal serviu de modelo a uma tentativa mais eficiente de organização da cobrança dos impostos devidos ao senhor da Ilha (à época, a ilha da Madeira era pertença, não da Coroa, mas de uma das mais importantes casas nobres do reino, a Casa de Viseu), sendo este um dos aspetos das medidas fiscais de caráter geral tomadas pela tutora do duque D. Diogo, (…) por forma a que o arquipélago rendesse tudo que dele se pudesse legalmente extrair. Casa-mãe de toda a orgânica fiscal da ilha, nela não se cobravam apenas os impostos sobre as mercadorias exportadas e importadas; o quarto da produção de açúcar também é aí pago, assim como todas as mais rendas do duque (…).

Muito mais haverá para ser contado, mas vamos deixar para o próximo ano… porque, se é certo que as pessoas – os funcionários aduaneiros – são os ativos mais importantes de qualquer organização, também é verdade que, as pessoas passam e as instituições ficam.

Li algures que (…) a par da língua, o mar é um dos maiores ativos que Portugal possui. Projectado sobre o oceano e prolongando-se nos seus arquipélagos atlânticos. Portugal dispõe da maior região marítima da União Europeia. O «mar português» é, aliás, dos mais vastos do mundo. É tempo de sabermos conjugar a economia com a nossa geografia e aproveitar os seus recursos (…).

Para terminar, convido-vos a ler e a apreciar um poema de autoria de José Agostinho Baptista (poeta contemporâneo madeirense), retirado da obra, Esta Voz é Quase o Vento, Assírio & Alvim, 2006:

E então ele disse
E então ele disse:
só quero ir de pé, no último convés,
quando o sol cai,
quando a grande luz se apaga do lado de
fora do céu

Quero
que o albatroz paire sobre o meu pensamento,
que as suas asas estejam eternamente abertas
no ar.

Mas só a gaivota solitária se aproximou,
perseguindo o cardume,
gritando roucamente,
como se chamasse,

E então ele disse:
mar,
quero que sejas sempre azul,
mar profundo,
mar de dentro, mar da minha alma,
mas o mar não respondeu.
A gaivota desceu a pique sobre o convés e
aí ficou, até hoje,
como uma estátua pura, uma estátua de sal.

E então ele disse:
para onde irei,
como poderei navegar,
como poderei secar estas lágrimas que descem
o meu rosto,
como poderei voar se não vejo as asas do meu
amor?
Mas ninguém respondeu.

E agora há quem o veja, de pé, no último
convés,
ao lado das penas brancas, da estátua pura.

E é este o meu olhar sobre esta Instituição secular, de pé, no último convés…