Foi preciso vir ao Cais do Sodré, à rua cor-de-rosa para, finalmente, me estrear, tentei conter-me, mas não resisti...
domingo, 3 de novembro de 2019
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Livro: A Paixão segundo Constança H., Maria Teresa Horta, D. Quixote, 2018.
Leio sempre com sofreguidão as obras de Maria Teresa
Horta (1937-), a sua poesia e sobretudo a sua prosa são gritos de dor ou
gemidos de prazer, são denúncias de maus tratos ou exaltações de paixão eterna,
anseio por chegar ao fim ou desejo que a leitura se prolongue até ao infinito.
A escrita de Maria Teresa é um sobressalto
constante, estonteia-nos, ora nos eleva ao céu, como nos obriga a descer ao
inferno.
Foi o que aconteceu com a leitura da obra, A Paixão
segundo Constança H.:
“Quando Henrique H. lhe dá a conhecer a sua
traição, a paixão de Constança transfigura-se. Em tempos que se desdobram e sobrepõem,
chegam-lhe do passado as queixas de uma trisavó sobre o marido todo-poderoso,
ao passo que da infância revive com nitidez os momentos mais dolorosos: o
abandono pela mãe, a sua primeira paixão, quase seguido da trágica morte da
avó, fonte única de afeto e segurança. O desejo de vingança vai-se assim
alimentando num clima obsessivo de loucura, sangue e morte.”
Esta leitura recordou-me outra que fizera há uns
bons anos, uma biografia de Maria Adelaide Coelho da Cunha, por Manuela Gonzaga (Círculo de Leitores, 2009):
“Doida Não
e Não” é um grito que atravessa os tempos, uma história de vida traçada com um
grande rigor histórico, solidamente ancorada em documentação coeva. Estamos nos
anos vinte, quando o princípio da liberdade de imprensa se assumia em Portugal,
uma conquista que só será renovada em 1974. Mas este retrato biográfico da
«senhora de São Vicente», filha mais velha e herdeira do fundador e coproprietário
do Diário de Notícias, o jornalista Eduardo Coelho, e mulher de Alfredo da
Cunha, também jornalista, é, acima de tudo, o testemunho da vontade indómita de
uma mulher que tudo arriscou por amor. E que, quando todas as outras lhe foram
retiradas, recorreu à mais letal das armas: a palavra escrita.”
Os livros são assim, a leitura de uns conduz-nos
a outros, numas vezes que já lemos, noutras que queremos ainda ler.
Para finalizar, convido-vos a ler as duas obras: A
Paixão segundo Constança H, de Maria Teresa Horta e Doida Não e Não,
de Manuela Gonzaga.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Livro: Adoecer, Hélia Correia, Relógio D’Água, 2011.
Prosseguindo com o meu plano de leituras no
feminino, aproveitei hoje a pausa do almoço para concluir a leitura deste
extraordinário e muitas vezes desconcertante romance de Hélia Correia (1949-), Adoecer.
Da autora já havia lido Lillias Fraser, um romance que nos transporta para tempos de guerra e de catástrofe natural, acontecimentos, uns provocados pelos homens outros pelos deuses, todos eles transformadores da realidade, dos territórios e dos seres que os habitam.
Em Adoecer, Hélia Correia (Prémio Camões 2015), conduz-nos
à génese de um grupo artístico dedicado sobretudo à pintura, fundado em
Inglaterra, em 1848 e auto-denominado Irmandade Pré-Rafaelita. A partir de factos,
a escritora ficciona as vivências, os amores e os desamores de um grupo de
artistas que desejavam construir uma corte que fugisse do cânone vitoriano,
pintando, escrevendo e amando livremente.
“Inseridos
no espírito revivalista romântico da época, os pré-rafaelitas desejam devolver
à arte a sua pureza e honestidade anteriores, que consideravam existir na arte
medieval do final do Gótico e do início do Renascimento.
Ao se
autodenominarem pré-rafaelitas realçavam o fato de se inspirarem na arte
anterior a Rafael artista que tanto influenciou a academia inglesa e que era
consequentemente criticado pelos pré-rafaelitas.”
Um
romance de exigente leitura, mas compensador, pelo que nos faz refletir e sonhar.
Por fim,
convido-vos a descobrirem a escrita de Hélia Correia…
sábado, 5 de outubro de 2019
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